Os Botos-cinza estão desaparecendo do Rio de Janeiro?

Dr Rodrigo Tardin • 6 de abril de 2023
O boto-cinza é um pequeno golfinho que ocorre desde o norte de Honduras, na América Central, até o estado de Santa Catarina, aqui no Brasil. Esses animais são considerados espécies-chave de seus ambientes, já que ajudam a regular comunidades de níveis tróficos mais baixos com sua alimentação e atuam como sentinelas, transparecendo mudanças no ecossistema em que estão inseridos. 

O desenvolvimento costeiro aumenta cada vez mais e, associado ao aumento das atividades humanas no ambiente marinho, representa um impacto altamente negativo nos organismos marinhos e no ecossistema e, com o boto-cinza, não seria diferente. Recentemente, a espécie foi incluída na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção como ‘Vulnerável’ e, no estado do Rio de Janeiro, atualmente é considerada como ‘Criticamente em Perigo’.

O biólogo pesquisador Rodrigo Tardin, nosso diretor científico, estuda esses animais e acompanha sua distribuição na costa do Rio de Janeiro. Em um dos estudos com seu laboratório, publicado em 2019, ele avalia como as variáveis ambientais e nossas crescentes atividades influenciam no uso dos habitats pelos botos.

Eles analisaram como as condições ambientais na época mais seca e na mais chuvosa influenciam em onde esses animais são avistados e em que quantidade. Fatores como profundidade, distância de áreas de pesca e fazendas marinhas e quantidade de alimento apresentaram muita influência.

Influência de atividades humanas

Os resultados do estudo indicaram que nossas atividades humanas apresentam sim influência na determinação do ambiente favorável pelos botos. 
A pesca operante na Baía da Ilha Grande é artesanal e as fazendas de frutos do mar na área são pequenas, o que torna seus impactos menores, como a captura acidental, potencial de eutrofização, sedimentação e outros. A influência negativa na biodiversidade nas baías de Sepetiba e Guanabara é bem maior, já que possuem grandes instalações industriais e navegação mais intensa. O trabalho cita um declínio populacional desses botos de quase 80% na Baía de Guanabara.
Ainda assim, a Baía da Ilha Grande está sujeita a alguns impactos, como intenso tráfego de barcos durante os meses de verão, poluição sonora e atividades pesqueiras. 

Áreas protegidas estão sendo efetivas?

O estudo também apresentou, como um de seus principais resultados, que a maior parte da área de ocorrência desses cetáceos se encontra fora dos limites da Estação Ecológica de Tamoios, reserva marinha da Baía de Ilha Grande. 

O objetivo de reservas marinhas deste tipo é proteger a biodiversidade local, porém, para ser efetivo, é necessário que sua localização leve em consideração a área de distribuição dos organismos que se pretende proteger e da aplicação correta de medidas de gestão. Neste caso, apenas uma pequena parte do habitat previsto para o boto-cinza está inserido na área protegida.


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A degradação de áreas florestais, por exemplo, contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE), enquanto a restauração dessas áreas pode capturar carbono da atmosfera, promovendo o sequestro de carbono. No Brasil, projetos de restauração da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade, têm apresentado resultados significativos junto de organizações como Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e SOS Mata Atlântica. A recuperação dessas áreas não apenas retira CO2 da atmosfera, como também cria um habitat seguro para diversas espécies nativas, muitas das quais ameaçadas de extinção. 2. Agricultura regenerativa A agricultura regenerativa é uma prática que visa restaurar e manter a saúde do solo, reduzir o uso de insumos químicos e promover a biodiversidade local. Ela integra técnicas como o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de adubação verde, promovendo uma relação mais equilibrada entre o ser humano e a natureza. Essa forma de cultivo ajuda a mitigar os efeitos das mudanças climáticas ao capturar carbono no solo e melhorar a resiliência das áreas agrícolas a eventos climáticos extremos, como secas e inundações. Países como o Brasil, que possui uma vasta área agrícola, podem se beneficiar amplamente da adoção dessas técnicas, que, além de serem sustentáveis, promovem maior produtividade a longo prazo! 3. Proteção de áreas marinhas Os oceanos desempenham um papel crucial no equilíbrio climático do planeta, absorvendo grande parte do carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis. A criação de áreas de proteção marinha (APMs) tem sido uma das soluções mais eficazes para preservar os ecossistemas oceânicos e proteger a biodiversidade marinha. Essas áreas, quando bem geridas, ajudam a preservar espécies marinhas ameaçadas, como corais, peixes e mamíferos aquáticos, ao mesmo tempo que promovem a recuperação dos estoques pesqueiros e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Além disso, as APMs contribuem para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas, já que os oceanos saudáveis absorvem mais carbono. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos é um excelente exemplo de como as Áreas de Proteção Marinha (APMs) podem ser eficazes na conservação dos ecossistemas marinhos e na proteção da biodiversidade. Localizado no sul da Bahia, esse parque abriga uma das maiores biodiversidades marinhas do Atlântico Sul, incluindo recifes de corais, manguezais, restingas e ilhas oceânicas. 4. Uso de energias renováveis A substituição de fontes de energia fósseis por energias renováveis, como solar, eólica e biomassa, é essencial para reduzir as emissões de GEE e mitigar os impactos das mudanças climáticas. A energia renovável é uma solução sustentável e viável que, além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, contribui para a preservação da biodiversidade ao minimizar o impacto ambiental da geração de energia. Países ao redor do mundo, como a Dinamarca, que já obtém mais de 50% de sua energia de fontes renováveis, mostram que é possível fazer essa transição de forma eficiente. No Brasil, o potencial para a energia solar e eólica é vasto, e investimentos nesse setor são fundamentais para garantir um futuro mais sustentável! 5. Tecnologias de captura de carbono Uma solução inovadora que está ganhando destaque na mitigação das mudanças climáticas é o uso de tecnologias de captura de carbono. Essas tecnologias capturam o CO2 da atmosfera ou diretamente das fontes emissoras, como fábricas e usinas de energia, evitando que ele contribua para o efeito estufa. Embora essas tecnologias ainda estejam em estágio inicial de desenvolvimento e implementação, elas oferecem uma solução promissora para combater as emissões industriais. Algumas empresas e governos ao redor do mundo têm investido na pesquisa e desenvolvimento dessas tecnologias, que podem se tornar parte fundamental da estratégia global de mitigação das mudanças climáticas. A Climeworks, por exemplo, com sede na Suíça, é pioneira na tecnologia de captura direta de ar (DAC), que remove o CO2 diretamente da atmosfera. A empresa desenvolveu grandes coletores de ar que filtram o dióxido de carbono, permitindo seu armazenamento subterrâneo ou utilização em outros processos industriais. A solução cabe ao ser humano As soluções para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e preservar a biodiversidade são diversas e complementares. Desde a restauração de ecossistemas até o uso de energias renováveis e tecnologias de captura de carbono, todas essas iniciativas têm o potencial de reverter parte dos danos já causados e evitar novos impactos no futuro. É fundamental que governos, empresas e cidadãos se engajem na implementação dessas práticas para garantir a sustentabilidade do planeta! Para continuar aprendendo mais sobre como podemos atuar na preservação da biodiversidade e na mitigação das mudanças climáticas, assine nossa newsletter e acompanhe as ações do Instituto Luísa Pinho Sartori. Com você, podemos transformar o futuro do nosso planeta! Não deixe de acompanhar o ILPS nas redes sociais: Instagram | LinkedIn
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